
O ato solene em homenagem ao Ballet Nacional de Cuba e à coreógrafa e primeira bailarina absoluta Alicia Alonso, realizado nesta terça-feira (19), lotou o auditório Franco Montoro da Assembleia Legislativa. Também estiveram presentes 60 bailarinos acompanhados de integrantes da diretoria do BNC, que esta no Brasil em turnê.
O deputado estadual Raul Marcelo (coordenador da Frente Parlamentar de Solidariedade a Cuba e líder do PSOL na Alesp) iniciou a atividade ressaltando a necessidade de difundir “a experiência fantástica de Cuba nas áreas de educação, esportes e especialmente na cultura”. O deputado também realçou que Alicia Alonso é uma das mais importantes expressões da “difusão da cultura e, em especial, da revolução cubana”.
Logo em seguida, o deputado Vicente Cândido (membro da Frente Parlamentar e um dos organizadores do evento) lembrou a força da resistência cubana diante da opressão estadunidense e ressaltou que “a cultura é um item essencial no processo de transformação da sociedade”.
A mesa do ato foi composta, além dos dois parlamentares, por Marília de Lima (presidente da Cooperativa Cultural Brasileira), Maria Pia Finócchio (presidente do Sinddança), Sérgio Mambertti (representante da Funarte/MinC), o Cônsul-Geral de Cuba em São Paulo, embaixador Carlos Trejo, Alicia Alonso (fundadora do Ballet Nacional de Cuba), Pedro Símon (diretor do Museu da Dança de Cuba e da Revista de Dança), Maria Elena Llorente (primeira bailarina e maîtresses de ballet do BNC), Salvador Fernandez (diretor técnico do BNC), Martha Espinosa (gerente do Ballet), João Manoel da Costa Neto (assessor parlamentar da Secretaria de Estado de Cultura), Ana Cristina Machado Cesar (prefeita de Campos do Jordão) e Paula Castro (diretora da Academia de Ballet Paula Castro – a primeira a fazer convênio com Cuba no país).
Defesa da revolução e dos cubanos antiterroristas também esteve na pauta
Articulador do Comitê de Defesa dos Cinco Cubanos antiterroristas presos nos EUA injustamente desde 1998, Max Altman saudou o ato e fez questão de lembrar que Antonio Guerrero, Fernando González, Gerardo Hernández, Ramón Labañino e René González, “defensores do povo cubano, merecem nossa solidariedade em favor da sua liberdade”.
Carlos Trejo Sosa fez um emocionado discurso lembrando que este dia 19 de maio marca 114 anos da morte de José Martí: “o mais universal dos cubanos”. O embaixador fez uma saudação a Clara Charf (integrante do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher presente ao ato), “que representa uma parte muito importante da nossa história”. Clara morou em Cuba por nove anos após ser exilada pela ditadura militar brasileira.
Trejo também saudou os bailarinos cubanos, “legítimos embaixadores de um povo guerreiro” e agradeceu a homenagem em nome da representação diplomática, do governo cubano e de “nosso invicto comandante em chefe, Fidel Castro”.
Citando José Martí, o Cônsul reafirmou que “para ser livres, há que ser cultos” e reivindicou a compreensão do Estado cubano sobre a importância de manter os investimentos em cultura.
Ao saudar Alicia, Carlos Trejo afirmou que a eterna primeira bailarina é a “representação da permanente vontade de nosso povo de fazer cultura e de fazer a revolução”.
Logo em seguida, Sérgio Mambertti destacou que Alicia “desde o primeiro momento emprestou sua força, talento e coragem para a construção do Ballet Nacional Cubano e da revolução”.
Altiva e doce, Alicia levantou o público
Encerrando a homenagem, Alicia recebeu o microfone e falou todo o tempo com a voz embargada pela emoção. “É muito difícil para uma artista, uma bailarina, falar depois de ouvir tantas coisas emocionantes e belas”, disse.
A diva mundial do balé clássico exaltou ainda o corpo de dançarinos do Ballet Nacional de Cuba e opção socialista de seu país. “Nossos bailarinos devem sentir da mesma forma, porque são filhos da revolução. Se não tivéssemos tido uma revolução, mesmo com muito esforço de cada um de nós para fazer um balé, seria impossível ter chegado onde chegou o Ballet Nacional de Cuba”, frisou.
Com lágrimas nos olhos, o plenário lotado levantou-se para aplaudir a fundadora do Ballet Nacional de Cuba, companhia que completa 61 anos neste ano.
Criado em 1948, como Escola Cubana de Balé, após a revolução, em 1959, o BNC recebeu o nome que hoje ostenta e o investimento do governo cubano na contratação de profissionais e no incremento da estrutura do corpo de balé. Daí passou a ser reconhecido em todo o mundo como uma das maiores companhias de dança clássica do planeta.
No Brasil para diversas apresentações do espetáculo ‘Giselle’, os bailarinos também reverenciaram a esguia figura de Alicia que, do alto de seus 88 anos, segue atuando para o aprimoramento do Ballet Cubano.