Frente parlamentar fará gestões pela revalidação dos diplomas de brasileiros formados em Cuba

Frente parlamentar fará gestões pela revalidação dos diplomas de brasileiros formados em Cuba

Na audiência pública realizada pela Frente Parlamentar de Solidariedade a Cuba na Assembleia Legislativa do Estado, o coordenador da frente deputado estadual Raul Marcelo anunciou uma série de iniciativas visando fortalecer a luta pela revalidação dos diplomas, questão prevista no Acordo de Cooperação Educacional Brasil-Cuba e também na Comissão Interministerial do Governo Federal. O evento aconteceu no dia 20 de agosto passado e debateu o drama e o verdadeiro calvário que os médicos brasileiros formados em Cuba enfrentam para exercer a profissão no Brasil. A audiência pública encaminhou que enviará às comissões de Saúde e Educação da Alesp requerimento de convocação dos reitores das universidades paulistas para debater a adesão dessas instituições de ensino superior ao termo de cooperação para revalidação dos diplomas. A Frente Parlamentar também seguirá acompanhando a tramitação do acordo no Congresso Nacional.

A revalidação dos diplomas de brasileiros formados em Cuba hoje é dificultada por uma série de obstáculos que vai desde processos burocráticos, pela falta de critérios objetivos e transparentes, ausência de vontade em estabelecer um procedimento célere e regular e pelos custos estabelecidos pelas universidades públicas responsáveis pelo processo de reconhecimento de diplomas de instituições estrangeiras. Embora esteja prevista a implantação de um exame nacional no ajuste ao acordo educacional entre Brasil e Cuba, o processo está emperrado no Congresso Nacional porque o acordo ainda não foi ratificado, pois tem sofrido uma brutal oposição daqueles que defendem a lógica privatista na saúde.

Hoje, os médicos brasileiros formados em Cuba – único país do mundo que oferece cerca de 100 bolsas de estudos anuais ao Brasil – têm que pagar taxas de até 7 mil reais para realizar a prova de revalidação disponibilizadas pelas universidades públicas brasileiras, segundo anunciados por médicos brasileiros. Além disso, o processo muitas vezes demora anos para ser realizado, impedindo o profissional de exercer a medicina por um longo período. Outro problema levantado na audiência é a falta de padronização dos exames, que já levou médicos a serem reprovados em uma universidade e terem seu diploma revalidado em outra.

Compuseram a mesa do evento o deputado federal e membro da Comissão de Educação da Câmara Carlos Abicalil, Marcelo Chaves, representante da Associação dos Familiares e Amigos de Estudantes em Cuba, Maria do Carmo Carpintéro (presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado), Cléber Firmino, médico formado em Cuba, Frei Davi (coordenador da Educafro), o representante da Uneafro Douglas Belchior, o presidente da Associação Paulista de Medicina, Jorge Carlos Machado Curi, além dos deputados estaduais Raul Marcelo, Vicente Cândido e José Candido.