O deputado estadual Raul Marcelo participou nesta quarta-feira, 26, da audiência pública contra a privatização do Metrô, realizada no auditório Franco Montoro da Assembleia Legislativa. A atividade foi convocada em articulação com entidades representativas de trabalhadores do Metrô, condutores, ferroviários de São Paulo, da Sorocabana e da Central do Brasil – que compõem o Fórum em Defesa do Transporte Público. O objetivo era abrir à sociedade a discussão sobre a proposta dos governos Serra e Kassab de privatizar o sistema de arrecadação do Metrô, CPTM, EMTU e SPTrans.
A proposta governamental ameaça milhares de trabalhadores de perderem seus empregos e coloca em risco a qualidade dos serviços prestados à população. O tucanato quer transferir ao setor privado, até novembro, as quatro empresas que coordenam o sistema público de transporte na região metropolitana da capital. O Estado abrirá mão da gestão de pelo menos R$ 4,6 bilhões/ano – sem contar a EMTU, cuja entrega ao setor privado está previsto para a segunda fase do processo, no ano que vem.
Raul Marcelo denunciou “a eminência do desemprego se for entregue todo o sistema da bilhetagem, das catracas, para empresas privadas. Toda vez que se fala em terceirização ou privatização no estado de São Paulo é isso que acontece. É contra isso que estamos lutando”, disse.
O Fórum em Defesa do Transporte Público também vem se manifestando contra a entrega dos serviços de manutenção da CPTM à iniciativa privada. A licitação está marcada para 8 de setembro.
O governo estadual já privatizou por 30 anos, através de uma parceria público-privada, o controle da Linha 4/Amarela do Metrô, sem risco de prejuízo, pois os cofres públicos arcarão com a diferença se a arrecadação prevista em edital não for atingida. O Estado também desembolsará 73% dos custos totais do empreendimento, cabendo ao consórcio privado comandado pela Camargo Correia apenas 27% dos gastos. Esta linha ficou mundialmente conhecida pela maior tragédia da história do Metropolitano paulista, quando a abertura de uma imensa cratera na região onde funcionará a estação Pinheiros matou sete pessoas e condenou centenas de residências e imóveis no entorno, em janeiro de 2007.
Desde o dia 7 de abril deste ano o deputado Raul Marcelo havia requerido à Comissão Permanente de Administração Pública da Alesp que o Secretário de Transportes Metropolitanos e os presidentes do Metrô e da EMTU fossem convocados à Casa para prestar esclarecimentos sobre o processo de privatização dos transportes estaduais. Até o momento, no entanto, os representantes do governo do Estado não compareceram à Assembleia Legislativa para discutir o tema.