Jornal Cruzeiro do Sul|
Um grupo de 15 representantes das famílias que invadiram o Residencial Ilhas do Sul – conjunto de prédios, ainda em obras, no Central Parque – esteve no Paço Municipal em busca de apoio contra a liminar de reintegração de posse, conseguida na Justiça pelos proprietários do imóvel. A Polícia Militar está com o pedido em mãos desde a semana passada, porém nenhuma ação de desocupação dos apartamentos havia sido tomada até a tarde de ontem. Cinco moradores foram recebidos na Prefeitura para uma reunião com o secretário de Habitação e Urbanismo, José Carlos Comitre, que se comprometeu em realizar um levantamento socioeconômico das 80 famílias. Com isso, elas passam a fazer parte de um banco de dados para avaliação de um futuro atendimento. O secretário ressaltou que os programas habitacionais em andamento priorizam as famílias com riscos de inundações e deslizamentos.
Paralelamente à tentativa de obter ajuda da Prefeitura, as famílias que ocuparam os prédios procuraram também o auxílio jurídico. O advogado Orlando Antônio, que defende os invasores há cerca de dois meses, disse que já entrou com recurso na Justiça para a derrubada da liminar de reintegração – a segunda, sendo que a primeira foi expedida ainda em outubro de 2009. Ele acusa a Construtora Multimil, que moveu a ação, de não cumprir algumas exigências da Polícia Militar para realizar a retirada das famílias, como o oferecimento de caminhões de mudança e mão-de-obra para o transporte dos pertences. É por isso que a reintegração não aconteceu até agora. A construtora quer jogar o pessoal na rua, comentou. A Construtora Multimil foi procurada, por meio de seus telefones fixos e celular dos proprietários, porém ninguém atendeu à reportagem para falar sobre o assunto.
Expectativa
O movimentação dos moradores que invadiram o prédio começou nas primeiras horas da manhã de ontem, por conta de boatos que davam conta que o mandado de reintegração de posse seria cumprido ainda ontem. A Força Tática da polícia tem circulado por aqui, comentou César Vieira. O que a gente quer é moradia. Não queremos nada de graça, só queremos pagar pelo que é nosso, completou.
Representantes do deputado estadual Raul Marcelo (PSol) também estiveram no local, depois de terem sido procurados pelas famílias. Partiu deles a orientação para a formação da comissão que foi procurar ajuda com o prefeito Vitor Lippi. A gente precisa mostrar que esse é um problema social, que as pessoas estão sendo vitimadas pela falta de moradia e pelo desemprego. Queremos que o prefeito apresente uma alternativa, que pode ser emergencial, como o oferecimento da bolsa-aluguel para essas famílias, ou um projeto de moradia popular para abrigá-las no futuro, falou Rodrigo Chizolini, assessor do parlamentar. O assessor acompanhou a reunião e informou que o secretário consultaria o prefeito Vitor Lippi para responder os moradores sobre o atendimento aos pedidos de auxílio financeiro e inclusão em programas habitacionais.